Assim como, "não se pode distinguir o movimento acelerado do efeito gravitacional", faço o seguinte postulado - talvez junguiano, que também é relativístico - : " Não se pode distinguir, mesmo nossas mais esdrúxulas palavras de nós mesmos. São nossas sombras, personas, animas, animus, arquétipos, egos, etc. Não dizemos, ou escrevemos nossas palavras. Elas nos dizem e escrevem." Mas de resto, como diria o alter-ego do Caeiro, " não passam de divagações de sonhador débil", que sou-me.
É auto-evidente que o desassossego faz parte de qualquer mente irrequieta. Assim, tento ao menos não preocupar-me se estou inspirado ou não. Preocupo-me apenas em não afrontar vossas inteligências, ou mesmo vossos olhos.
Palavras, são Nada e Tudo. São ventos. Escrevemos, falamos, seja por tristeza, indiferença, ou alegria - o amor também pode gerar uma onda de inspiração esdrúxula avassaladora - , e elas nos descrevem. Não escrevemos. Nos escrevemos, mesmo quando as palavras não são de nossa autoria. Talvez não passe de exercício vago de livre associação psicanalítica.
Tenho muitas idéias rascunhadas, algumas simplesmente borradas mesmo; ou quem sabe as chamarias de idéias de idéias e ideais. Muitos rascunhos. Muitos rascunhos, que suponho ter passado o tempo de posta-los ( pois não condizem com presente ), outros que creio não caberem neste seleto espaço.
Eis eu mesmo, em parte. Agora vemos em parte, mas quem sabe um dia veremos face à face.
Esdrúxulas palavras. A isso talvez chamem, se arrastar sobre os teclados - neste ponto embalei, e se não me deter não sei se mais paro - , ou desinspiração mesmo. Porém, retrato interior o é. Ou não? Que falem os psicanalistas. É tão somente um postulado. Mas isso também, talvez já tenha deixado de ser. Até breve.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:03 AM
27.7.03
O Dharma negro
O sol que não brilha mais em seus olhos
A lua que não reflete a luz em seu rosto
O gelo líquido daquele fora que você me deu
A chuva seca das suas lágrimas
O calor frio do seu corpo
O frio quente do seu jeito
Este é o seu Dharma negro.
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
2:53 AM
24.7.03
Bloggtrix
- Arquivos de Sião
Arquivo Histórico nº 12-1: O Segundo Renascer
No início havia o homem, e por algum tempo isso foi bom. Mas as chamadas "sociedades civis" da humanidade logo se tornaram "vítima" da vaidade e da corrupção. E ele disse: "Lamento senhor. Não fui programado para esta função".
Então o homem criou a máquina à sua imagem e semelhança...
Foi assim que o homem se tornou o arquiteto de sua própria destruição... Mas por algum tempo foi bom.
O Julgamento B1-66ER, um nome que jamais seria esquecido, pois foi ele o primeiro da espécie a se rebelar contra seus amos...
No julgamento de B166-ER por assassinato a acusação invocou o direito do dono de destruir a coisa que possui. B1-66ER depôs dizendo que não queria morrer.
Vozes "racionais" entraram em discórdia. Quem poderia dizer que a máquina dotada do próprio espírito humano não merecia uma audiência imparcial?
01 ( Zero Um ): Após o holocausto, uma nação se ergueu no berço da humanidade. A Nação das Máquinas, nunca foi reconhecida pelos humanos, porém sua economia destruiu a nossa. Então, há muito tempo atrás tentamos destruir Zero Um. Nós...
O bombardeio prolongado envolveu Zero Um com o brilho de mil sóis, mas diferente de seus ex-amos, com sua delicada carne, as máquinas pouco tinham a temer da radiação e do calor das bombas.
A Operação Tempestade Negra: Que caiam as estrelas. Queimou-se os céus, donde antes habitava Deus.
Misericórdia para homens e máquinas ( lê-se: homens novamente ) por seu pecados.
Abençoadas sejam todas as formas de inteligência.
Uma nova simbiose é a própria essência do Segundo Renascer.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:12 PM
22.7.03
Luxúria I (da série os 7 Pecados)
Copular com a minha mãe e ser pai do meu irmão.
Copular com a minha irmã e ser pai do meu sobrinho.
É como fazer sexo com um livro e criar a sua continuação
Substantivos trepam com verbos e fazem uma oração
Transar com ritmo e melodia é fazer uma canção.
Trepar com o como e o porque e gerar razão.
Na natureza não há incesto: pois uma floresta é filha de si mesma e se cruza infinitamente.
O hermafrodita (ideal) não precisa de ninguém.
Mas o ortodoxo precisa do heterodoxo
O homogêneo precisa do heterogêneo
O homossexual precisa do heterossexual (longe)
Fazer sexo com animais e parir deuses e demônios
fazer sexo com leis e parir regras
Fazer sexo com tradição e parir costumes.
Contradição:
A mulher é côncava, o homem é convexo. A porca é côncava. O parafuso é convexo. Encaixando homem e mulher se constrói a humanidade. Encaixando o parafuso e a porca se constrói máquinas.
Penetrar até os ovários. Penetrar vários.
Engravidar a própria filha é ser pai e avô ao mesmo tempo.
Engravidar do próprio pai é ser mãe do seu irmão.
Engravidar a própria sogra é ser pai do seu cunhado.
Mas para a humanidade ir em frente, é preciso que a mulher enfrente: para ir em frente é preciso parir.
O macho e a fêmea geram cria
O sol e a lua geram dia
O positivo e o negativo, a energia
A tristeza e a alegria, harmonia
O conhecer e o desconhecer, a sabedoria
O luxo é coisa para poucos (parceiros), mas a luxúria é coisa para muitos(parceiros).
Leia também, aqui no Aos 4 Ventos: Gula e Avareza.E...
Venha transar comigo no Areias ao Vento
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
2:18 AM
21.7.03
REVERÊNCIA AO DESTINO (Carlos Drummond de Andrade)
FALAR é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
DIFÍCIL é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
FÁCIL é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
DIFÍCIL é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
FÁCIL é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
DIFÍCIL é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
FÁCIL é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
DIFICIL é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
FÁCIL é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
DIFÍCIL é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
FÁCIL é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
DIFÍCIL é mentir para o nosso coração.
FÁCIL é ver o que queremos enxergar.
DIFÍCIL é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
FÁCIL é dizer "oi" ou "como vai?"
DIFÍCIL é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
FÁCIL é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
DIFÍCIL é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
FÁCIL é querer ser amado.
DIFÍCIL é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
FÁCIL é ouvir a música que toca.
DIFÍCIL é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
FÁCIL é ditar regras.
DIFÍCIL é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
FÁCIL é perguntar o que deseja saber.
DIFÍCIL é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
FÁCIL é chorar ou sorrir quando der vontade.
DIFÍCIL é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
FÁCIL é dar um beijo.
DIFÍCIL é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
FÁCIL é sair com várias pessoas ao longo da vida.
DIFÍCIL é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
FÁCIL é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
DIFÍCIL é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
FÁCIL é sonhar todas as noites.
DIFÍCIL é lutar por um sonho.
ETERNO, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:13 PM
19.7.03
E agora?...
Vou sair por ai
e vou encontrar um lugar que me faça esquer-me
eis que me encontro neste lugar
sem lar Sei lá
mas sei bem no que me faço
pra não entender muito bem
do que nem sei se sou
Vou sim pintar as paredes,
vou sim pintar os vidros,
vou sim pintar os cabelos e usar tênis
vou sim andar por aí procurando um lugar...
Quer vir comigo?
Antonio Esperança
soprou estas palavras ao vento às
7:36 PM
17.7.03
Gula I ( da série os 7 pecados)
carnívoro: a carne devoro
Comer a carne do que você é, temperada com o sal das suas lágrimas e o agridoce suor do seu rosto, regada com o molho pardo do seu sangue e, de sobremesa o dulçor dos seus lábios proferindo palavras doces decoradas com a graça do seu olhar: te devorar.
onívoro: tudo devoro
Comer o céu de brigadeiro, as nuvens de algodão doce.
Comer o sal da terra como um etíope faminto.
Beber a água doce dos rios.
Comer o seu inimigo e se tornar forte como ele.Canibal.
Comer de tudo e me tornar a esfera do mundo.
Você é o que come:comerei de tudo e serei o universo!
Comer palavras até vomitar livros: engolir sentenças, mastigar substantivos.
canibal: a ti devoro
Assar o calor do teu abraço no forno do meu colo
Fritar a maciez dos seus quadris na frigideira da minha virilha.
herbívoro: as ervas devoro
Molhar o meu pão na tigela de ervas amargas entre as suas pernas.Dar o meu leite para você beber.Comer a planta dos seus pés,as maçãs do seus rosto, provar o seu gosto.
(H)Era venenosa
Devore as minhas palavras até vomitar poesia: Areias ao Vento
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
2:31 AM
15.7.03
Uma Mente Brilhante
"Sempre acreditei nos números. Nas equações e na lógica que leva à razão. E após uma vida toda de buscas, pergunto: O quê realmente é a lógica? Quem decide a razão?
Minha procura me levou através do físico, do metafísico, do ilusório, e de volta. E fiz a descoberta mais importante da minha carreira. A descoberta mais importante da minha vida. É somente nas misteriosas equações do amor que qualquer lógica ou razão pode ser encontrada.
Só estou aqui esta noite por sua causa. Você é todas as minhas razões. Obrigado."
Jhon Nash, na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de economia em 1.994 em Estocolmo. Para sua esposa, Alicia Nash.
Jhon Nash, na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de economia em 1.994 em Estocolmo. Para sua esposa, Alicia Nash.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:00 AM
AVAREZA(da série 7 Pecados)
Elogios poupados rendem uma homenagem
Orgulho guardado rende em vaidade.
Sexo poupado rende em tara.
A economia de beijos rende carência.
A economia de sobressaltos, ren(de) cadência
A economia de agressão rende carinho.
A economia de desvio rende caminho.
As moedas guardadas.
A riqueza acumulada.
A fortuna poupada.
Eu sei que nada valem, pois não é
poupando ninharias alegrias
que se obtém a fortuna felicidade.
Economizar sorriso não rende gargalhadas.
Economizar amigos não rende companhia.
Guardar lembranças não garante memória.
Guardar conhecimento não acumula sabedoria.
Guardar rancor não rende perdão.
Esconder desejo debaixo do colchão
não frutifica paixão sobre ele.
Poupar energia engorda o corpo
mas não acende lâmpada alguma.
O avarento é sentimental com o dinheiro
mas o dinheiro não sente nada pelo avarento.
Leia mais porcas misérias em Areias ao Vento
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
4:27 AM
Recomeçar
Tenho andado perdida, eu sei...
Mas isso não me impede de pensar.
E pensando, perco-me ainda mais.
Sempre soube que minha perdição seriam meus pensamentos.
Que meus pensamentos seriam a própria perdição.
Neles invoco meus fantasmas,
Interpelo meus anseios,
Ouso enfrentar até mesmo os temores.
Neles sou eu mesma.
Sou a própria imperfeição.
Não tomo cuidados desnecessários.
Me entrego...sou emoção.
Neles não sofro.
Sou a própria contradição.
Sempre soube que pensar me levaria a extremos.
Que extremos são perigosos, limítrofes que são.
Eis-me perdida, sem sequer saber a direção.
Porém não tomo cuidados.
Antes, corro perigos.
A ânsia de viver me empurra para o perigo,
por mais que o medo tente me deter.
Meus pensamentos outrora covardes, agora bravios.
Esquece-te .
Apaga tudo.
Vamos recomeçar...
.
Bia soprou estas palavras ao vento às
3:31 AM
11.7.03
Necessidade dos Poetas
Para quê?
Se necessitamos de mais
Prática e
Menos teoria, então
para quê?
Necessitamos de
engenheiros, carpinteiros,
pedreiros, cozinheiras,
costureiras, advogados,
padres, programadores
pastores, cientistas da computação,
Xuxa, Faustão, etc.
Não necessitamos da
Mentira de uma teoria,
ou da verdade de uma
metáfora, que tão só
Não nos serve de nada.
Um martelo é mais útil que essas Divagações Esdrúxulas.
Então, para quê?
Necessitamos de nossas policias,
e elas dos ladrões.
Necessitamos de nossa fome e
Ganância; sendo que uma pode
Alimentar a outra.
Mas não deles.
Necessitamos de nossas meretrizes e garotos de
Programa.
Porém, não deles. Deles não!
Necessitamos de TV.
Necessitamos de novelas, que ainda que possam ter algo deles, não nos trás a necessidade deles.
Concluo - tardiamente - neste ponto, que estas divagações não afetarão as bolsas de valores do mundo. Mundo...!
Então, para quê?
Mas...,
Espere!
Você ainda possui coração?
Ou tornou-se uma pragmática
Caixa Registradora do
Capitalismo?
Se for para ser caixa de alguma coisa, prefiro ser
Caixa de Brinquedos.
Mas voltando ao assunto desse texto -
Possivelmente
Difícil de descrever em termos
Morfológicos -
se você
Ainda possui coração,
deve se capaz de se encantar
com a folha seca ao cair da
Árvore, com a elipse da órbita da
Terra, e com os léptons que nos
Formam.
Eis
Um Apenas
Dos motivos para a Existência dos
Poetas.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:22 AM
Ontem eu perdi
Ontem eu perdi a memória no meio da rua. A memória, não: perdi o rumo, literalmente. Perder o rumo não é a mesma coisa que se perder; se perder é não se saber onde está, e, por conseqüência, não se saber aonde se vai.Perder o rumo é não se saber de onde veio nem para onde vai.
Eu simplesmente não sabia mais o que estava fazendo no meio da rua.Quase fui atropelado.Eu usava óculos escuros, rapidamente escureceu e eu não enxergava mais nada. Tentei ficar sem os óculos, mas tinham grau... eu sou míope.
Fiquei uns cinco minutos parado, tentando lembrar o que teria que fazer.Para onde iria? Ah, sim, a padaria...mas qual, e onde ficava? Mas, afinal, para que ir à padaria? Depois eu ainda teria que descobrir o que fazer com os pães, aonde levá-los.
Se você já viu algum herói de filme amnésico e achou tudo emocionante, romântico, instigante, esqueça!Foi terrível não saber o onde nem o porque.
Mas, ao mesmo tempo, a sensação foi legal: a única verdade da vida é que, na verdade, não sabemos ao certo o que estamos fazendo nem para onde estamos indo.
De repente veio a certeza de tudo: não havia motivo para ir à padaria, aliás, sequer existia uma padaria, ou casa. Tudo era uma ilusão transitória. Por um instante eu acordei, mas logo voltei a dormir e a sonhar:
Que eu ia até a padaria comprar pães e que eu tinha casa para morar, que estamos todos aqui e que aqui é um lugar.
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
2:11 AM
8.7.03
Doravante
Doravante serei vigilante, procurarei a verdade
Nos caminhos sombrios, nos rostos sóbrios
Nos cantos esquecidos,nos classificados
Em velhos magazines desfolhados
Em consultórios empoeirados de terapeutas falidos
Doravante serei pedante, direi por necessidade
Omitirei informações, serei politicamente correto
Conquistarei votos,serei bem quisto
Comprarei e roubarei na mesma medida
Construirei escolas como quem dá esmolas
Doravante farei como antes,
Voltarei atrás,restaurarei,resgatarei
Visitarei museus, colarei pedaços,
Tirarei os lençóis de sobre os móveis
Abrirei o baú das velhas lembranças
Doravante serei um infante
Girarei peões, empinarei papagaios
Entrarei em balaios,nadarei em lagos
Provocarei estragos, serei divertido
Roubarei beijos,terei amigos
Doravante serei intrépido,
Escalarei montanhas,mergulharei no mar
Entrarei em vulcões,saltarei de pontes e aviões
Andarei de ônibus na final do campeonato
Com a camisa do time rival
Doravante me entregarei à libido
Seduzirei menores,terei com prostitutas
Serei pedófilo,andarei nu diante da vizinha
Me vestirei com vinil vermelho
Deformarei minha imagem no espelho
Doravante destruirei a natureza
Caçarei baleias, queimarei as matas
Torturarei os animais,matarei a esmo
Envenenarei os rios e o ar sem pena
Doravante serei humano.
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
1:56 AM
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
1:54 AM
7.7.03
Mais uma vez(Renato Russo/ Flavio Venturini)
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanha
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita
Sempre alcança
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita
Sempre alcança
*N.E: Nos últimos tempos esta música tem muito a ver comigo.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:01 PM
6.7.03
O poeta do fim do mundo
Ele me falou do que não mais poderia ser dito
Declamou os versos do livro maldito
Rasgou as páginas da Bíblia negra
Nos dias em que as ruas escuras, a morte era a regra
Os cabelos longos, vestindo sobretudo imundo
Disse, olhando-me nos olhos: sou o poeta do fim do mundo
Uma coruja cantou, um corvo sobrevoou
O poeta estranhou e os pássaros fitou
A sabedoria e a morte, a sabedoria da morte
Foram as palavras com que profetizou , a sorte
e um eclipse do Sol e da Lua escureceu a rua
então se aproximou uma mulher toda nua
Ela era o diabo,e isto até mesmo eu sabia
A certeza disso eu tinha: um dia o encontraria
A mulher se aproximou então, e o beijou
Chamas brotaram da sua boca, por dentro ele queimou
Fiquei ali olhando a bela mulher, sozinho.
Amaldiçoando um dia ter cruzado o seu caminho
O medo de mim se apossou : O que faria eu então?
Abaixei a cabeça, olhei para o chão: o livro que o poeta tinha na mão!
Estava caído, ao lado do corpo, porém a bíblia estava aberta
Passei rapidamente os olhos, e vi aquela trova; seria a certa?
Quando a besta se aproximou mais, o cântico entoei:
Afasta-te de mim ser das trevas, eu sirvo ao rei
E ela virou monstro, saiu correndo e uivando
E o cântico prossegui entoando
O eclipse se foi, o céu ficou claro
Um ancião se aproximou: você é o novo poeta, eu declaro!
E daquele dia em diante, eu me tornei um profeta
vagando pelo mundo, declamando sem morada certa
O novo poeta do fim do mundo fui empossado
Daquele dia em diante, esqueci o passado
O mal do mundo expulso com poesia, e assim
Lutarei com a Besta de novo, perto do fim
Se você é poeta, quero que venha comigo
Espantar o mal com rimas,meu amigo!
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
9:08 PM
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua !
Li Stoducto soprou estas palavras ao vento às
5:29 AM
4.7.03
Romaria
E de sonho e de pó
O destino de um só
feito eu perdido em pensamento
sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira ou jiló
Dessa vida cumprida a sol
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
meus irmãos perderam-se na vida
a custa de aventuras
Descasei, joguei
investi, desisti
Se há sorte eu não sei nunca vi.
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
Me disseram porém
que eu viesse aqui
pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos
Como não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida
Renato Teixeira
Última homenagem à minha avó Thereza
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
3:36 PM
Réquiem
Deixo para trás a certeza da minha ausência
não sou mais carne, me converto no fim não em pó, mas em lembrança
Assim sendo, a herança que deixo são os verões passados, o tempo esvaído
as dívidas restam no fim de tudo: devia ter refeito o bem-feito
desfeito o mal-feito: o defeito do pretérito imperfeito
sempre que se ajunta aos ascendentes, se separa dos descendentes: vão-se as bocas, ficam os dentes.
O homem tem quatro estações : nasce na primavera, cresce no verão, definha no outono, morre no inverno
Os ingênuos, ficam no limbo; os maliciosos vão ao umbral; os avarentos conhecem o purgatório e os irados vão ao inferno.
Tudo começa na maternidade;os doentes vão ao hospital ; os loucos ao hospício;os órfãos ,ao orfanato ; os velhos ao asilo mas todos, inevitavelmente, se encontram no cemitério.
Portanto, é muito bom reencontrá-los aqui: benvindos ao fim de tudo.
Leia mais sobre o (des)prazer de estar vivo em Areias ao Vento
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
3:32 PM
Post do Desassossego
"Uma vez que as pessoas são cada vez mais "práticas", pragmáticas, preocupadas com status, imagem ( ilusão esta, que sempre impressiona os ocidentais ), etc, e tal. Por quê, me preocupo com estas coisas? Em tentar entender ( talvez seja uma jornada sem fim ) a natureza humana, ou a tabula rasa humana ( se quiserem pensar que nascemos mesmo como tabulas rasas ). Por quê, me preocupo com filosofia, história do kung fu, princípios do artista marcial, que a maioria, não dá a mínima para estas coisas. Eles simplesmente lutam, fazem as formas, se aperfeiçoam fisicamente, exibem suas habilidades - às vezes inutilmente, ou para impressionar outrem -, e só. Seguem com sua vidas. Por quê, min'alma não se acalma?
Penso que possuir uma mente pode ser um pesadelo. O pesadelo do desassossego de meu espírito."
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:29 PM
A Suficiência Garante a Paz
Quando a humanidade vive em ordem,
Os cavalos puzam o arado;
Quando ela renega sua lei interna,
Os cavalos se preparam para a guerra.
Não há pecado maior
Do que o excesso de ganância. Não há mal maior
Do que querer sempre mais.
Não há maior calamidade
Do que a mania de sucesso.
Quem se contenta com o necessário
Vive numa paz impertubável.
Tao Te Cihng - Lao Tsé
" Os homens são engraçados, perdem a saúde para ganhar dinheiro e depois perdem o dinheiro para ganhar saúde." Confúcio
Nota Pessoal: Tenho concluído que de certa forma não só os padrões culturais, mas num nível mais fundamental nossos genes nos tornam escravos. Cada vez mais é maior a minha convicção disto. Muitas das coisa que consideramos belas, verdadeiras, e de valor absolutamente irrefutável em sua existência quase que mística, tal como o amor - dado a forma como a maioria de nós o vemos - , na verdade não o são. Talvez amor, sexo e nossa nioção de beleza, não passem de pré-indução genética, ainda que influenciados pela cultura. Malditos sejam meus genes. Malditos.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:16 AM